viernes, enero 05, 2007

Fenix

Fechou a porta e não olhou para trás. Pegou as duas malas e uma mochila e partiu. Jogou as chaves da casa no vão da janela, sem olhar para dentro. Partiu. Sozinho. Acompanhado de si mesmo. Muitas desilusoes. Um segundo casamento fracassado, uma carrera insípida, uma vida medíocre e tantos desejos suicidados...

Foi ao terminal de onibus e comprou o primeiro bilhete que encontrou no primeiro guiche que chegou. Dormiu todo o caminho... horas, dias, semanas, como se o corpo não respondesse mais a alma e essa dominasse todo. "Ponto final, chegamos!"

Aonde cheguei, que importa agora? O único que queria era não ser ninguém, um a mais, um desconhecido. Viveria na rua, fazendo bicos de pintor, ajudante, carpinteiro. Foi pensando nisso que começou a sentir-se mais leve, com uma estranha força que não sentia há tempos.

Renascer das cinzas. Morrer muitas vezes. Se sentir vivo. Só faltava a coragem de começar novamente.

5 Comments:

FAFÁ said...

Muito bom, dá gostinho de quero mais!

o_argentino said...

Sim, sim... pede uma continuação!

db said...

e quando vem o próximo? os vinhos do ano novo fizeram bem!

Anónimo said...

Hum... bem próprio, bem ano novo esse post. Concordo com os três que me precederam: cai bem uma continuação. Ando me sentindo meio-eu, meio-fenix. Acho que vai dar samba.

Anónimo said...

Quando vc lança o livro mesmo? será no México ou no Brasil...rs...