"Tudo começou como um jogo de amigos. Durante o verão de 1816, numa viagem que o escritor Percy Shelley e a sua mulher Mary fizeram à Suiça, entraram em contato com o célebre poeta lord Byron. Um tempo chuvoso e desagradável impediu qualquer possibilidade de sair, e então se reuniram para ler histórias de fantasmas. Byron teve uma idéia: que cada um dos presentes escrevesse um relato deste tipo.
O livro de Mary-Shelley - que foi publicado em 1818 - se convertiu en uma das narrativas de horror mais famosas de todos os tempos: Frankenstein. La história de uma criatura feita de restos humanos, que volta a vida para questionar o seu criador e tomar vingança pela crueldade do seu destino, foi lida, recriada e representada desde então."
Monstros plásticos
Ademas das implicações filosóficas sobre la essencia do ser humano na obra de Shelley fez surgir outras indagações, como os limites da medicina e da ciencia. Os experimentos com o ser humano, a clonação, por exemplo, são uma amostra destes limites.
Se vamos a uma nível mais frívolo, temos uma versão contemporanea do monstro. Com a extenuante busca pela juventude e beleza, onde homens e mulheres se submetem as cirurgias cada vez mais sofisticadas para lograr o seu objetivo. Olhos abertos como pizza, narizes pequenas e respingadas ao extremo de parecer mais contatos de eletricidades, lábios cheios de colágenos, peles aclaradas com substancias incertas. A gente deixa de parecer-se a si mesma e se uniforma em um modelo cada vez menos humano, a base de plásticos e silicones em cores pasteis. Verdadeiros bonecos de uma perfeita mentira. Michael Jackson é a prova final.


