(a pedido do meu amigo Dani, que pediu uma materia do que era vivenciar uma Copa do Mundo estando casada e vivendo no Mexico. A materia nao saiu (porque tava meio chatinha, eu sei Dani), mas vou publicar aqui para me dar um incentivo a voltar a escrever, pq ando maus....)Pela primeira vez estou vendo uma Copa do Mundo fora do Brasil. E pela primeira vez estou torcendo para dois países, Mexico e Brasil. Casada há 3 anos com um mexicano, o Eduardo, dois anos vivendo em Xalapa, capital de Veracruz e desde a ultima Copa do Mundo fora do Brasil.
Aonde vivo nao ha muitos brasileiros, os poucos que conheci ja vivem ha tanto tempo aquí que nos comunicamos em español. Presenciar uma Copa longe da farra brasileira poderia ser um motivo de desanimo, pensei ao principio, ate que resolvi dar uma de Polyanna e ver o lado otimista: este ano teria dois países para gritar, chingar e torcer com desesperacao.
São quase 11:00 horas da manha no meu Cyber Café, que não coincidentemente, se chama Cyber Brasil. Entra um cliente: - Brasil! Brasil! Brasil!!
Quem grita tao entusiasmado é um senhor 100% mexicano, fa de carteirinha da nossa seleçao verde e amarela. Em Copa do Mundo – que aquí eles se referem como el Mundial – nao é raro ver mexicanas que adoram o Kaka, jovens que veneram o Ronaldinho, senhores que vibram com o jogo e nossa a ginga. Definitivamente eles adoram os brasileiros (e las brasileñas, como diríam por aquí…).
Por se chamar Caber Café e ser um lugar público, muitos entram aquí e quase sempre me perguntam algo do Brasil “Queria ser brasileiro só para sentir o gosto de se ganhar um Mundial” me confessa Hugo Sanchez Ortega, de 21 anos, que vive em Guadalaja.
Aficcionados por fútebol, este año, mas que nos anteriores de Copa, todo um País vestiu a camisa verde e vermelha com a esperanca de desta vez, chegarem pelo menos a quartas de final. Em um comercial de televisao veiculava um anuncio de uma companhía nacional de aviacao onde cada cidadão comum sonhava que o Mexico havia ganhado o Mundial. E a mensagem era de que se todos sonhassem o mesmo, poderia tornar-se realidade.
Bom, já sabemos que não foi desta vez, todavia. Com um emocionante gol nos primeiros minutos de jogo contra a Argentina, os Mexicanos viram o sonho de estar entre os quatro melhores do mundo e comemoraram por 4 minutos e medio, ate que veio o gol de Argentina e o resto da historia ja conhecemos. Foi como comer uma tortilla com recheio, mas sem molho, sem chile. Intragavel! Em meio de muitos insultos (em español e em portugues) e muita desesperacao, bravejo ao Lalo, meu marido mexicano, que deveria ter me casado com um alemão, ou um italiano, para não sofrer tanto com um jogo. Ele me responde sorrindo e contesta aliviado que ainda bem que se casou com uma brasileira…. Foi um gosto do quaaaase, e o consolo de que sim, neste sábado, os mexicanos jogaram bem. As lagrimas de los torcedores no final da partida derreteu o coração desta brasileira e de muitos machos mexicanos…
Agora é torcer pelo Brasil, e ver com satisfação que o maridão já separou sua camiseta verde e amarela que comprou emocionado só para estar torcendo, de coração, junto comigo.
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