Chegou o brasileiro. Com o visto negado arriscou o que (não) tinha e decidiu, por amor ou por uma nova oportunidade, tentar a vida no México (!). Voou do Ceará para o Rio, do Rio para Guatemala, com conexão no Panamá. Completamente perdido com o español das classes de sábado, dadas na Igreja da Imaculada Conceição, Sobral. 15 horas de viagem. Conecta os coyotes, passa ilegal pela fronteira Guatemala-México. Aliviado por chegar vivo, mas sem o seu relógio de 50,00 reais. Do outro lado já esperava o seu amor, a sua nova oportunidade. Se conheceram pela Internet e namoraram por 1 ano, com direito à crises de ciúmes, anel de noivos e juras de amor eterno.
E eis que chega o cara. Não sabe hablar casi nada, amargurado, sofrido. Não conta piadas, não ri muito... Mas não tem trabalho e ela quer ajudar. E a muito custo, depois de 3 dias e 8 horas falando sem cessar, se dá conta que não tem jeito, não vai rolar o trampo. Não ali. E faz uma última tentativa de convencer a outros a contratar-lo. E por sorte rola uma oportunidade, numa pizzaria, na cozinha. E a boa samaritana vai correndo contar a novidade, super animada, que descolou um trampo melhor para ele, que vai ganhar mais e garantido de segunda a segunda.
E sabe o que escuta?
- Num sei naum.. Num é minha área de trabaio....
Definitivamente... Eu NUNCA vou entender esse tipo de gente...
...
Aí me lembrei de mim mesma, lá no Canadá, topando qualquer trabalho honesto para sobreviver. E, sim, de segunda a sexta limpava banheiros, muuuuitos banheiros, e tirava muito pó, lavava pias, recolhia lixos. Mas no fim de semana lá estava a faxineira no centro da cidade, no Shopping mais caro, no balcão mais chique, num inglés macorronico, comprando produtos da Lancòme ... Geente, eu me sentia o máximo, acreditem!!!
1 Comment:
eu acredito.
mas é por isto que pessoas como vc (nós) nunca ficaremos ricos........
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